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Interface Gráfica para Computadores I:
Sozinho em uma ilha (quase) deserta

Pode parecer fácil desenvolver um trabalho aonde você é o único a representar um setor, ou uma área do projeto, mas não é...

Trabalhei com interface gráficas para Softwares durante quase 3 anos, sendo pouco menos de 1 ano em carreira sólo. Na maior parte do tempo, tive a responsabilidade do desenvolvimento gráfico de produtos e devo dizer que foi um aprendizado inestimável para minha carreira. Sempre me senti em uma ilha deserta, como no filme Náufrago em que Tom Hanks precisa se virar, tendo como companheiro inseparável uma “bola pintada”.

O desenvolvimento gráfico em meio há um habitat inóspito a primeira vista também é assim: desgastante e sofrível, porém recompensador no final com os resultados. Um designer sempre necessitou de um repertório para criar, repertório este que é colecionado através de suas experiências, gostos, estudos, vitórias e fracassos. Ainda é possível complementá-lo de forma eficaz com um detalhado briefing de projeto; porém, mesmo se após tudo isso não houver um “habitat” propício para a criação, você corre o risco de ter que construir seu barco e sair da ilha.

A criação de telas para computador obedece a padrões muitas vezes inflexíveis, onde a limitação não é necessariamente o custo, mas sim a tecnologia envolvida. Sempre me defrontei com frases do tipo: “...este componente só aceita um tipo de imagem...” ou “...estes arquivos são muito pesados... não é possível colocar tudo de uma só cor”. Paciência e perseverança são ótimos abrigos para problemas como este. Assim como no filme, é necessário adaptar-se primeiro ao ambiente para depois extrair dele o que há de melhor, afinal a tecnologia sempre avança há um custo mais acessível e, mesmo que você não consiga que ninguém na ilha fale sua língua, é um direito seu poder observar, escutar e aprender.

O habitat com isso passa a ser menos desesperador e até tolerável, uma palavra simples ajudaria o sobrevivente: organização. Saber organizar-se quando está sozinho em uma empreitada é fundamental. Dialogar (quando possível), interagir e estudar aquilo que lhe envolve irá garantir a qualidade final de sua imagem e de seu layout. Aquele componente que só aceita uma extensão pode lhe render mais, já que uma extensão pode ter diversos tipos de ajustes ou colocar as imagens em uma só cor, variando em sua tonalidade, pode garantir uma identidade uniforme, ponto diferencial importante quando seu produto é defrontado com outros tantos “coloridos”.

O mais importante é ter a noção do momento em que vive e como projetos inóspitos podem ser cruciais em seu papel profissional. Os que desistem, perdem a chance e sempre vão adiá-la para momentos cada vez mais difíceis, ao contrário dos corajosos sobreviventes que, no final, reclamam da complicação e burocracia da vida civilizada.

A necessidade também faz a habilidade.

09/2002. Carlos Batista é designer.
 
    www.deZine.com.br ed. 002 | setembro © 2002.