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O brasileiro é na verdade um alienígena ou um estrangeiro
em seu próprio país. Esta nação de mestiços
cuja dificuldade de separação por raça é
imensa, quase impossível (segundo dados do IBGE), infelizmente
não vê sua imagem refletida nos meios de comunicação.
É do Aurélio o significado da palavra alienígena:
que ou quem é de outro país; estrangeiro. Moro em
Salvador, mas há anos que os apresentadores de programas
das tvs locais são brancos, a propaganda é feita para
brancos, o Papai Noel é branco, isto está mudando
mas esta mudança ainda é insignificante.
Fico imaginando a insatisfação que rola, quando
de repente percebemos: "meu cabelo não é tão
liso quanto deveria" ou "que pena que meus seios não
são do tamanho daquela loira americana que vi no seriado
de domingo". Pois é, o que vemos é uma religião
que assumiu Deus com aparência européia, bunda perdendo
cada vez mais o espaço para os seios de silicone e a auto
estima caindo, caindo, caindo....
Falando sobre signos, canso de ver pessoas de varias classes sociais
estampando em todo o corpo a bandeira norte americana, que agora
é "fashion". O símbolo dos nossos
"pacatos" irmãos do Norte está em quase
todas as vitrines dos shopings de Salvador e é só
olhar para o calçamento que penso se não sou eu o
estrangeiro!
Com relação a nossa língua nem se fala. Em
vez de dizer "legal" é mais bonito dizer "cool".
Outro dia vi a modelo Gisele Bündchen reclamando do nome de
um evento de moda, aqui no brasil, que estava em inglês, enquanto
este mesmo evento que acontecera na Europa, levava a língua
dos respectivos países, dando um charme a mais pelo simples
fato de conservar o idioma local.

"Eu só boto be-bop no meu samba quando
o Tio Sam tocar um tamborim..." |
Devemos, quando possível, enaltecer as nossas qualidades
e descobrir outras: símbolos perdidos, frutas, padronagens
de animais, arte indígena, cultura afro-brasileira, bossa
nova, samba, festejos folclóricos. Trabalhar em cima destas
informações, estilizando-as dando uma cara contemporânea
e adequada aos anseios da nossa geração.
Viva a Darcy Ribeiro, Jackson do Pandeiro, Chico Science, a bossa
nova, a Cildo Meireles, e a todas as pessoas que refletem sempre
com um olhar crítico este país, objetivando uma nação
melhor.
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