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Tocando de Ouvido

Mestre Pastinha já dizia: "quem ensina capoeira é o berimbau ...". Já com alguns anos de formado, ralando como freelancer, tento fazer um apanhado dos meus tempos de faculdade e confrontá-los com a dura realidade...

É um fato que, infelizmente, a vida acadêmica muitas vezes se distancia do dia a dia profissional, cabendo exclusivamente a nós, aprendizes de feiticeiros, cairmos de cabeça na práxis. No meu caso, a ficha só caiu no último ano, quando comecei a entregar trabalhos, relatórios e fichamentos nos formatos de folder ou canoa, explorando papéis importados com impressões em copiadoras ou jato de tinta, que não podiam dar errado, errou... fud...

Projetos de design que não eram solicitados, eram, talvez por isso, feitos com enorme prazer e liberdade. Embora não fosse levada a sério, essa produção artesanal não apenas inaugurou o meu portfólio, como também se transformou na melhor lembrança dos meus tempos de universitário.

Observo com freqüência designers diplomados manterem um discurso inflamado contra os "micreiros". No fundo, quase todos nós da distinta classe, ainda tocamos de ouvido. Um ou outro se destaca, menos por uma questão de formação e mais por questão de bom senso, afinal, do bom senso se chega ao senso de proporção. Existe é claro, a célebre questão do conceito - cadê o conceito?

A propósito, eu e outros amigos designers, fazemos parte de uma associação: Associação dos Designers Surfistas Maroleiros (ADSM - seção Bahia), através da qual, desenvolvemos um novo conceito no surf, o surf anticanônico, feito em marolas. Estamos com esse trabalho, ficamos fiscalizando o mar:

- E aí? Como é que tá o mar?
- Tá massa, tá lisão.
- Massa!

Há todo aquele lance ecológico do contato com a natureza, sentados em cima das pranchas, a gente não consegue pegar muita onda... vocês sabem... essa vida de computador... Para quem quiser se associar, vocês têm meu email!

09/2002. Walter Mariano é designer e tem interesse pelas coisas Zen...
 
    www.deZine.com.br ed. 002 | setembro © 2002.