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Gestão
do Design |
Novos desafios para a
competência do designer têm surgido nestes últimos
anos, seja pelos componentes dados pela globalização
que traz mudanças sociais, tecnológicas e econômicas,
que exigem a criação de novas estratégias nas
empresas para se tornarem mais competitivas, ou pela velocidade com
que a informação chega para nós através
da Internet e outras mídias. A pergunta é, como estas
mudanças interferem com o design e principalmente na relação
deste designer com o seu cliente ou empregador? Será que o
designer está preparado para atender estes desafios?
O design não pode ser visto somente
como uma ferramenta estética, é mais do que isso
é a ferramenta da inovação, da competitividade
das empresas, da estruturação das suas marcas e da inserção
do Brasil como produtor de imagens e bens reconhecidos no mundo.
Neste processo o designer tem que adequar seu discurso para a complexidade
desta ação onde é necessário ter uma visão
integral e global da interferência desta ferramenta no processo
criativo, propondo estratégias e políticas que integrem
a empresa/fornecedores junto ao consumidor.
A Gestão do Design está formulada como uma modalidade
de pensamento e de ação, destinada a recuperar o protagonizmo
do design no marco da nova tipologia dessas mutações
que se produzem nos fatores sociais, culturais, econômicos e
tecnológicos.
A Gestão do Design sugere um ponto de
vista ampliado, integrador e interativo com todas as instâncias
que conformam o processo projetual. Esta se desenvolve num
contexto que está conformado por três tramas sobrepostas:
a sociedade, o mercado e a empresa. Esta última constitui o
entorno dentro do qual acontece o ofício do designer, o ato
de projetar, independentemente se feito por consultoria ou dentro
da sua organização. O mercado é o âmbito
no qual a empresa atinge seus objetivos. A sociedade fornece suporte
tanto para o mercado como para a empresa, originando seu próprio
programa de necessidades, que nem sempre coincide com os objetivos
da empresa. Isto é assim porque existem setores sociais que
pela baixa capacidade de consumo não são de interesse
para o mercado, embora, o contexto social exerça cada vez mais
pressão sobre as exigências de consumo. Um exemplo recente
é a pressão sobre as propriedades ergonômicas
e ecológicas dos produtos industriais, que nos países
europeus já se incorporaram nos programas de design nas marcas
mais importantes, assim como nas principais normas internacionais.
Se propuséssemos uma definição de Gestão
do Design em termos atuais, poderíamos afirmar, em grande parte,
que é o conjunto de atividades de diagnóstico, coordenação,
negociação e design que comparecem tanto na atividade
de consultoria externa como no âmbito da organização
empresarial, interagindo com os setores responsáveis da produção,
da programação econômica-financeira e da comercialização,
com a finalidade de permitir uma participação ativa
do design nas decisões dos produtos.
A compreensão desta problemática e da necessidade de
inserir este conhecimento no dia-a-dia do designer colocará
o design como disciplina decisória para o desenvolvimento da
inovação no Brasil tornando os produtos e serviços
mais competitivos no mercado e porque não, ajudar na própria
empregabilidade dos profissionais de design.
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| 10/2002. |
Luis
Emiliano Avendaño é consultor de design. |
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ed. 003 | outubro © 2002. |